Lei Anticorrupção impulsionou o compliance no mercado jurídico em 2014

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Em 2014, o compliance esteve em alta no mercado jurídico. Em entrevista para o portal Vagas Profissões o coordenador de pós-graduação em Direito do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), André Camargo, conta que os cursos ligados à área e à governança corporativa cresceram muito na escola em 2014. Segundo o coordenador, grande parte do que ocorreu foi consequência da Lei Anticorrupção, que entrou em vigor no início do ano. “Antes isso era uma preocupação só de bancos e agora é de qualquer organização empresarial, com ou sem fins lucrativos, que de alguma forma tenha de se relacionar com o Estado e os órgãos públicos”, afirma.

Conheça duas obras sobre  a Lei Anticorrupção

Lei Anticorrupção Empresarial – Aspectos Críticos à Lei Nº 12.846/2013

Lei Anticorrupção – Apontamentos sobre a Lei nº 12.846/2013

André Camargo explica que, com a nova lei, os profissionais da área Penal – que até então eram mais ou menos como o “patinho feio” do Direito, apesar da muita experiência de emprego – foram valorizados e passaram a buscar conhecimento de negócios para prevenir e gerenciar riscos empresariais. Por outro lado, advogados de diferentes áreas também começaram a buscar conhecimento em Penal. Para Camargo,  o primeiro grupo leva vantagem. “Quem já tinha formação em Penal entende mais rápido o impacto que isso gera numa empresa”, afirma. “Sem contar que não tem tanta gente que entende de Penal, mas tem muita gente que entende de Direito Empresarial”, diz ele.

Segundo a consultoria Hays, as contratações na área de compliance foram impulsionadas pela necessidade de adequação do Brasil às regras da Lei Anticorrupção, além da troca de profissionais por questões de performance, produtividade e também redução de custos. Conforme consta no relatório, o quadro de incertezas conjunturais – economia, grandes eventos, mudanças na legislação – colaborou positivamente por essa busca de eficiência na hora de contratar pessoas.

A consultoria destaca também um movimento em relação à diferença de perfis escolhidos por empresas e escritórios de advocacia. Enquanto um grupo adotou como estratégia contratar profissionais com perfil generalista, especialmente nas áreas de societário e contratos, tributário e trabalhista, o outro intensificou a integração de profissionais especializados em setores como fusões e aquisições, mercado de capitais e propriedade intelectual.

Maiores salários estão entre R$ 22 e R$ 45 mil reais

Segundo o Guia Salarial Hays Insper, os maiores salários dessa área estão nos cargos Sócio da Área Societária e M&A, que ganham de R$ 22 a  R$ 45 mil reais, e Sócio da Área Tributária Consultiva (de R$ 20 mil a R$ 40 mil). As faixas salariais consideram escritórios de grande porte de São Paulo. Entre os advogados plenos, a remuneração fica em torno de R$ 6,5 mil a R$ 7,5 mil para a maioria das áreas, com exceção das mais bem pagas, como Advogado Pleno Infra-Estrutura, que ganha entre R$ 8,5 mil e R$ 9 mil, e Advogado Pleno Societário e M&A, que chega a receber R$ 10 mil por mês.

2015 é o ano dos advogados de contencioso

Para o próximo ano, Camargo aposta em mais uma revolução. “No começo de 2015 deve ser aprovado o Novo Código de Processo Civil”, diz ele. “Aí teremos outra área renascida das cinzas, que é a dos advogados de contencioso, que também serão demandados nas empresas”, acredita.